Presidente da Piá afirma que a cooperativa não vai fechar as portas, mesmo com processo de liquidação

A Cooperativa Piá, instituição com 59 anos de história em Nova Petrópolis, vive um momento decisivo. A Assembleia Geral Extraordinária (AGE), convocada para o próximo dia 26 de março, colocará em votação a proposta de “liquidação com continuidade do negócio”. Apesar do termo técnico soar alarmante, o presidente Jorge Dinnebier é enfático ao tranquilizar produtores e consumidores: a cooperativa seguirá operando normalmente.

“A liquidação com continuidade do negócio é uma forma de organizar o caixa e evitar bloqueios quase diários de contas. Não vamos fechar as portas”, afirma Dinnebier.

Estratégia para retomar o crescimento

Segundo o presidente, a medida visa dar fôlego financeiro à Piá, que atualmente enfrenta dificuldades com o capital de giro e bloqueios judiciais frequentes. A estratégia já foi utilizada por 39 cooperativas desde o Plano Real, com um índice de recuperação de 70%.

Para viabilizar essa retomada, a Piá aposta em parcerias estratégicas:

  • Negociações em curso: Atualmente, existem 10 contratos de confidencialidade (NDAs) assinados com empresas do setor lácteo e fundos de investimento nacionais e internacionais.
  • Captação: A cooperativa continua recebendo leite e buscando novos fornecedores para manter a produção ativa.
  • Transparência: Jorge Dinnebier, que assumiu em junho de 2023 após a renúncia do conselho anterior, reforça que sua missão é auxiliar o judiciário nas investigações de auditoria e salvaguardar o patrimônio da cooperativa.

Caso a proposta não seja aprovada no dia 26, a Piá seguirá no modelo atual, buscando reverter os prejuízos acumulados. No entanto, a diretoria vê na liquidação com continuidade a alternativa mais viável para o futuro da marca.

Entenda: O que é a Liquidação com Continuidade do Negócio?

Muitas vezes confundida com o encerramento de atividades, a liquidação com continuidade funciona de forma muito similar à Recuperação Judicial das empresas privadas (LTDA ou S.A.), mas adaptada à legislação das cooperativas.

 Como funciona na prática?

  1. Proteção de Caixa: Ao entrar nesse regime, a cooperativa ganha um “escudo” jurídico. Bloqueios de contas por dívidas antigas são suspensos, permitindo que o dinheiro que entra no dia a dia seja usado para pagar fornecedores atuais, funcionários e manter a operação girando.
  2. Poder de Negociação: A justiça auxilia na mediação com os credores. Isso permite que a cooperativa renegocie prazos mais longos, obtenha descontos nas dívidas e taxas de juros mais amigáveis.
  3. Gestão Focada: É nomeado um liquidante (que pode ser a própria diretoria atual sob supervisão) para focar exclusivamente em sanar as dívidas enquanto a parte operacional da fábrica e das lojas continua “a pleno vapor”.
  4. Atração de Investimentos: Com as contas organizadas e o plano de pagamento definido, fica muito mais seguro para novos parceiros ou fundos de investimento injetarem capital na cooperativa.

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